segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Preto


Li algures por ai, há uns dias atrás, que miúdos que vestem preto, ao contrário do que as pessoas podem pensar, são crianças mais confiantes e seguras. Gostei. Sim, porque eu visto muito preto, e cores escuras no geral, e a minha filha por imitação, volta e meia também me pede para vestir preto. E eu visto, e olham-me de lado e "ai coitadinha da criança, que parece que vai a um velório"... 

daqui

Geralmente estou-me a borrifar, mesmo porque a miúda fica mesmo gira de preto, mas gostei de saber que afinal, até nem é muito mau que ela escolha o preto em detrimento de outras cores mais (consideradas!) apropriadas a meninas... 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A sentir-me frustrada

daqui

Achava que já tinha falado sobre isto no blog, mas não encontro. Se calhar não o fiz. Não importa. Hoje venho desabafar um bocadinho. Preciso de desabafar um bocadinho. A minha sobrinha C., tem um problema que se chama encoprese e que consiste na incapacidade de prender o cocó e suja com frequência as cuecas. 

Já pesquisei bastante sobre isso para dar mais informação à mãe. Há meses que a mesma já foi aconselhada por um pediatra a procurar ajuda psicológica para a miúda porque por a+b concluíram que ela não tinha nenhum problema a nível fisiológico. 

E vocês acham que já o fizeram? Claro que não. A miúda continua tal e qual. Quase a entrar na primária, continua tudo igual. E quanto a mim, já desisti de conversar com a mãe sobre isto, tratei de arranjar um homeopático indicado que iria tratar a parte emocional também, e ela deve ter feito o tratamento um dia ou dois. 

Cansei-me de tentar ajudar porque eles sabem o que é que podem fazer. E podem fazê-lo se quiserem, mas tira-me do sério que coloquem as idas ao cabeleireiro e esteticistas à frente. Mais as massagens para relaxar, os motocrosses e os jantares com os amigos à frente da miúda e ainda me digam que pelo privado, uma consulta é muito cara, e que aguardam que um amigo que conhece fulano lhes arranje consulta pelo público. Há meses! 

Há mais de três anos que a miúda sofre com isto. E sofre mesmo, porque os amiguinhos já começam a ter noção, a cheirar o fedor que dela emana, e claro, todos nós sabemos como os miúdos conseguem ser maus e cruéis nas suas palavras. 

E hoje sinto-me frustrada, porque a miúda dormiu cá em casa, e não fiz mais que limpar-lhe o rabo, e lavar cuecas. Pois onde está, assim faz, e fica lá a secar até nos apercebermos, porque ela não diz nada. Converso muito com ela, diz que sente quando faz, mas é incapaz de pedir para limpar sequer. Por ela, ter o rabo sujo ou limpo é igual ao litro. 

Na noite anterior a ter ficado cá, dormi mal a maior parte da noite, tenho andado com a garganta a chiar e sinceramente não ando no meu melhor no que à paciência e tolerância diz respeito. Por isso, sinto-me completamente frustrada comigo mesma, por saber que é uma criança com um problema e que eu é que sou a adulta e devia ter paciência, mas não consigo e acabo por barafustar. 

Tento medir as palavras que uso na frente dela, mas realmente isto é uma situação que se arrasta há imenso tempo. E fico possessa perante a inércia dos pais em resolver isto. Não os vejo a tomar nenhumas medidas que possam ajudar. Parece que comprar muitas cuequinhas resolve o assunto... 

Por exemplo, há uns dias estávamos com ela e a minha mais velha veio dizer-me que a prima C. já lhe cheirava mal outra vez. Uma vez que a mãe estava presente, chamei-a e disse-lhe que fosse ver a miúda que já estava suja de certeza. "Sim, sim!" foi a resposta dela e a miúda permaneceu de rabo cagado durante mais um bom tempo. A minha já nem queria estar a brincar com ela porque o odor era insuportável. 

Depois lembrou-se de pedir doces e o meu marido disse-lhe que não havia doces porque não tinha pedido para ir à casa de banho. Claro, que a mãe veio por detrás e lhe deu doces. Não têm qualquer sentido de causa e consequência, e a criança é a rainha da casa, faz o que quer e lhe apetece e tem sempre a última palavra. Cá em casa porém há regras, e ela tem de as cumprir. Assim, acho que cada vez que me pedir para dormir cá vou ter de contornar a questão. 

E é principalmente aos pais que aponto o meu dedo. Porque se se tivessem preocupado com educar, impor limites e acima de tudo tratar do problema quando apareceu, talvez as coisas não estivessem assim. Afinal de contas, são pessoas inteligentes e modernas. Nem sequer tratam de conseguir que ela coma mais saudavelmente porque também a ajudaria nisto. 

Não entendo, e pior, começo a não tolerar ter que apanhar com esta situação por tabela. O que custa, porque a menina é um amor e gosto imenso dela. Mas sinceramente, não preciso dessa dose extra de stress nos momentos que tenho em casa para estar com os meus. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

25 coisas [que não sabem] sobre mim

A Anabela desafiou os seus leitores a fazer como ela e partilhar 25 factos sobre nós. Eu aceito o desafio pois acho piada a estas coisas. Vamos lá ver. 

foto minha

1. Adoro tatuagens. Tenho 6 e mais nos planos. 

2. Adoro ler, desde que aprendi a fazê-lo. 

3. Ainda tenho correspondentes (por carta mesmo). 

4. Quando era piada era super fã dos manos Hanson. Haha

5. Adoro desenhar mas não gosto muito de pintar. 

6. Tenho pé de cinderela. 

7. Desde cerca dos 12 anos que sofro de dores de coluna devido a uma escoliose acentuada. 

8. Sou super desarrumada. 

9. Vivo perto do mar. 

10. Passei 5 anos sem trabalhar. 

11. Gosto de filmes de terror. 

12. Sou fascinada pela era medieval. 

13. Gosto de séries que retratam outras eras. 

14. Acredito que a existência extraterrestre seja possível, só não sei muito bem em que forma. 

15. Tenho um grande fascínio pelo paganismo embora não pratique qualquer religião. 

16. Gosto mais do meu cabelo quando o pinto de ruivo. 

17. A lua hipnotiza-me. 

18. Sou muito pouco paciente para as pessoas que não me agradam. 

19. Choro com facilidade. 

20. Não gosto da maior partes das carnes desde que era miúda. 

21. Durante muitos anos colecionei selos. Depois fartei-me e dei tudo. 

22. Ando com vontade de comprar uma mota desde a última concentração a que fui.

23. Adoro ir a concertos. 

24. Os géneros de música que prefiro são dentro do metal e do rock. 

25. Falo muito... demais por vezes. 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O Segredo do Meu Marido


O mês de Julho foi fértil em leituras. Para além do anterior que por cá publiquei, que terminei no início de Julho, li mais dois inteiros. O primeiro, foi "O segredo do meu marido", um livro de Liane Moriatry que, caso não me falhe a memória, comprei há cerca de um ano atrás. 

Comecei a lê-lo logo depois de terminar o "Fazes-me falta", no dia 8 de Julho. E adorei. Sempre que pude li um bocadinho porque foi muito difícil largar aquela narrativa para fazer seja o que for. À pala dessa brincadeira, deitei-me muitas vezes muito mais tarde do que eu tinha estipulado para mim. 

Ora, de início vamos conhecendo as personagens. Várias; famílias que parecem não ter nada a ver umas com as outras, simples rotinas diárias. Uma dona de casa que aparentemente é perfeita e tem tudo controlado num sítio, uma casa cujo casamento está a ruir da forma mais inesperada noutro, uma avó que vive para o neto. Nada disto parece ter ligação... mas tem. 

E com o decorrer da história, vamos percebendo qual é. Vamos ligando os pontos todos... e está tão bem escrito que como já disse, mal conseguia pousar o livro e fazer uma pausa na leitura. Acabei-o alguns dias depois, a 25, e nesse mesmo dia - já vos tinha dito do meu vazio enorme sempre que chego ao fim de um livro e tenho necessidade de começar logo outro, não já? - comecei a ler um livro que tenho em lista de espera há anos e anos, e que sinceramente nem sei como foi ficando para trás, sendo ele de um dos meus autores preferidos de sempre. 


Este é um livro especial. "Antídoto" de José Luís Peixoto. Um trabalho levado a cabo em parceria com a banda Moonspell. Claro que também tenho o álbum no qual os pequenos contos deste livro se inspiram, e que o ouvi vezes e vezes sem conta - embora, confesso, não o tenha feito nos últimos anos. 

Só podia abraçar este projeto uma vez que sempre admirei ambos. Uns por um lado, o outro por outro e quanto a mim, é uma junção perfeito que só poderia dar certo. 

"Em certos círculos", diz José Peixoto, "existe a ideia que o 'heavy-metal' é marginal e que estagnou numa série de fórmulas. Algum público do metal, por sua vez, associa a leitura a uma obrigação maçuda. Existe metal de qualidade e escrita que nos pode preencher". daqui

Aproveitei cada palavra do livro. Já o disse tantas vezes, Peixoto escreve como mais ninguém, reconheceria o seu estilo a léguas. Impressiona a forma como fura a pele de cada personagem, como os torna tão reais e etéreos ao mesmo tempo. Como por vezes parece não fazer sentido para logo a seguir nos cravar a própria pele, por ser tão humano, tão verdadeiro em sentimentos. 

Acabei-o no dia um. Dele restam-me ainda dois, os dois livros juvenis que lançou e que comprei logo (um, o outro ofereceu-me a minha mana), mas que ainda não li. Ainda ponderei ler outro dele a seguir, mas gostava de intercalar os autores dos livros que ainda tenho, por isso, o mais provável é que volte a ele quando acabar este que leio no momento ("Loucura" - Mário de Sá Carneiro). 

sábado, 5 de agosto de 2017

para agosto

daqui

- consulta de rotina com o mais novo

- continuar a ler diariamente (pelos menos um livro inteiro)

- arrumar o meu quarto de costura 

- comprar as loiças sanitárias e terminar casa de banho da outra casa

- marcar as férias

- costurar uma mini coleção para a minha filha enfrentar o regresso à escola em setembro (poderia fazer para ele também, mas não precisa de nada)

- costurar uma peça para mim 

- um programa só com o meu homem

- pelo menos uma ida ao cinema com os miúdos

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Um horror

É o único que se me ocorre para descrever isto. Porque há coisas tão difíceis de aceitar... porque tenho dois filhos e moro num prédio, e vivo com um medo terrível que algo do género aconteça. 

Quando a mais velha tinha uns dois anos, apanhei um dos maiores sustos da minha vida, toda eu gelei, tremia enquanto me aproximava de uma janela para espreitar lá para baixo, com o pânico no rosto e o medo de a encontrar. Felizmente, o meu susto teve outro desfecho, foi só mesmo susto. 

Abri uma greta pequena da janela para a casa respirar um pouco enquanto fazia limpezas, ela pequenina andava por aqui e ali a brincar. Sai do quarto e quando voltei vi que a janela estava completamente escancarada e nada dela. E o silêncio. Felizmente ela abriu a janela, não sei se se assomou a ela, talvez o seu medo das alturas a tenha feito recuar, talvez não fosse mesmo a hora dela, mas quando finalmente a encontrei escondidinha e salva, voltei a nascer. Isto afetou-me tanto que nem consegui falar sobre isto com ninguém durante meses. 

Mais tarde, quando o meu mais novo era bebezinho, lembro-me de acordar em pânico, e procurar o meu marido, aninhar-me no seu colo em busca de conforto. Porquê? Porque tinha tido um pesadelo. Um pesadelo que me pareceu tão real que parecia estar mesmo em choque quando acordei. 

Resumidamente, nesse pesadelo, a minha mãe tinha caído do nosso andar e eu via-a lá em baixo. Dei um grito de agonia, e espreitei novamente quando percebi que debaixo do corpo dela, espreitava a mão minúscula do meu filho. Foi tão real, tão desesperante que ainda hoje me custa pensar nisso. Levei mais de uma semana com medo de adormecer. 

E é por isso que desde ontem à noite, desde que li a notícia sobre este menino de apenas 4 aninhos que o meu peito não tem sossegado. Volta e meia os meus pensamentos correm para esta família, para a avó que cuidava do menino nesse momento, esse momento que aposto a vida em como todos queriam apagar, andar para trás, mudar tudo em segundos. 

Não os conheço, mas isso pouco importa, porque o que está em causa, é a vida, ou a morte deste menino que em segundos deixou de ter tudo pela frente para viver, e o pavor que eu sinto destas situações, e de saber que quando têm de acontecer acontecem, que sou impotente em relação aos meus, que não os consigo proteger sempre, que somos frágeis, insignificantes... 

Não há nada que se possa fazer ou dizer para mitigar estes sentimentos. Absolutamente nada. E sei que vou deitar-me e conseguir dormir, porque afinal, os meus dormem no quarto ao lado, sãos e seguros. 

Vou tentar empurrar estes pensamentos de choque e de revolta com esta aleatoriedade que ceifa vidas, qualquer vida sem seguir uma linha... nenhuma criança deveria morrer... não assim, não de forma alguma... mas eu vou conseguir empurrar estes pensamentos para os lados, pouco a pouco, irão ficar arquivados num canto qualquer. O mesmo não poderão dizer outros pais, e isso entristece-me tanto, tanto. 

Injustiça!!!


Descansa em paz, anjinho Tomas.